Pesquisa na UFF

Conheça os projetos de pesquisa desenvolvidos por docentes no Departamento de Psicologia de Rio das Ostras

 

Agências de fomento

FAPERJ

CAPES/PIBIC

Agir

Projetos de Pesquisa desenvolvidos no Departamento de Psicologia de Rio das Ostras (RPS)

Mapeamento da população vulnerável à COVID-19 no município de Rio das Ostras: o telemonitoramento como estratégia de abordagem em tempo de pandemia e distanciamento social

Coordenação: Alessandra Daflon dos Santos

Financiamento: Proppi

Este projeto trata de uma proposta interdisciplinar de enfrentamento à Covid-19 em rio das ostras a partir da articulação de ações de ensino, pesquisa e extensão, envolvendo docentes vinculados a diferentes departamentos do campus da UFF, dos cursos de enfermagem, serviço social, psicologia e engenharia de produção. Objetiva-se desenvolver mediações com o território e com a população de rio das ostras a partir do telemonitoramento de usuários do E-SUS ab em condições crônicas que exigem acompanhamento contínuo e atenção prioritária por risco de covid-19. Neste sentido, práticas criativas e inovadoras de ensino, pesquisa e extensão, como as que estão propostas neste projeto, tornam-se necessárias para a produção de evidências sobre a necessidades e demandas da atenção à saúde da população, em especial no contexto de pandemia. Esta proposta possibilita um importante diálogo com as demandas da população e serviço de saúde, considerando as especificidades no enfrentamento da pandemia do covid-19 em rio das ostras, o que evidencia tanto a importância da colaboração de instituições públicas de ensino com sistema único de saúde (sus) no enfrentamento da pandemia, quanto a capacidade da universidade oferecer e articular respostas a estas demandas. Sem tal articulação e esforço, os efeitos da pandemia certamente seriam mais rápidos e devastadores. Este projeto poderá contribuir para a redução dos impactos gerados pela pandemia da covid-19 em segmentos da população em situação de vulnerabilidade social e para a implementação de políticas públicas sociais e de saúde, especialmente ao segmento populacional a que se propõe.

Elaboração e execução de um jogo baseado no modelo de RPG (role-playing games) abordando a temática neurocientífica

Coordenação: Ana Cristina Troncoso

Financiamento: CAPES e Proex

Objetivamos elaborar um jogo didático onde os jogadores possam ter acesso ao conteúdo neurocientífico por meio de uma metodologia de aprendizagem alternativa, lúdica e inovadora. As atividades concernentes ao jogo ocorrerão em espaços alternativos à sala de aula, ampliando os espaços educacionais. O brincar possibilita o exercício da imaginação e se fundamenta no exercício da liberdade, representando a conquista de quem pode sonhar, sentir, decidir, arquitetar, aventurar e agir, com energia para ir além dos desafios da brincadeira, recriando o tempo, o lugar e os objetos. Os jogos são fonte de felicidade e prazer e o bom jogo didático, a nosso ver, é aquele em que o jogador pode avançar de maneira lógica e desafiadora, além de proporcionar um contexto estimulador para suas atividades mentais ampliando sua capacidade de cooperação e liberdade de imaginação, abrindo possibilidades de novas formas de resolução de problemas e compreensão de conteúdo. Por proporcionarem práticas educacionais atrativas, onde o aluno tem a chance de aprender de forma dinâmica e motivadora, os jogos educacionais podem se tornar auxiliares importantes do processo de ensino e aprendizagem. Partindo do contexto supracitado elaboraremos um jogo didático neurocientífico baseado especialmente no modelo dos jogos de RPG (role playing game) e submetermos alunos da educação básica pública ao jogo para averiguarmos a efetividade da aprendizagem por meio desta metodologia não tradicional.

O ensino de História da Psicologia no Rio de Janeiro

Coordenação: André Elias Morelli Ribeiro

Financiamento: FAPERJ

O ensino de história da psicologia está presente desde os primeiros cursos de psicologia ministrados no Brasil, como no de Radecki e de Jaime Grabois, ainda num nível aproximadamente equivalente ao de técnico, passando pelo período do currículo mínimo dos anos 1960 e nas atuais Diretrizes Curriculares. Contudo, os materiais didáticos disponíveis para uso nas disciplinas e cursos na área são frequentemente importados e construídos a partir da narrativa historiográfica da psicologia construída pelo manual de Edwin Boring, datado dos anos 1950 para responder à demanda específica dos EUA, utilizados como modelo até hoje. Esta pesquisa pretende investigar junto a projetos pedagógicos de curso de psicologia, coordenadores de curso e docentes quais são os materiais, as ementas, as práticas, entre outros, do ensino de história da psicologia no Rio de Janeiro e, para isso, fará coleta de dados com formulários online a serem preenchidos voluntariamente pelos participantes.

Estudos em história e historiografia da psicologia

Coordenação: André Elias Morelli Ribeiro

Financiamento: CAPES, Agir

O campo de estudos da história da psicologia passou por algumas transformações desde que chegou ao Brasil de forma profissional, no final dos anos 1980. Em 1996, a criação do Grupo de Trabalho de História da Psicologia foi um prêmio para essa geração de pesquisadores no assunto. Feitas as primeiras histórias valendo-se com mais rigor dos métodos da história, com a consolidação de modalidades de pensamento historiográfico psicológico, como o de Marina Massimi, Saulo Araújo, entre outros, novos métodos e perspectivas começaram a ser demandas, principalmente de leituras oriundas da História Cultural, História Social, História das Ciências e do campo de estudos em Ciência, Tecnologia e Sociedade. Esta pesquisa pretende investigar essas transformações no campo historiográfico da psicologia feita por pesquisadores brasileiros, latinoamericanos e europeus, olhando para a produção nacional em história da psicologia. Neste ponto, são participantes pesquisadores da UFF e da UFRJ interessados no assunto. A pesquisa pretende fomentar trabalhos acadêmicos sobre história e historiografia da psicologia, fundamentados tanto nos métodos tradicionais quanto nas novas perspectivas metodológicas e de investigação.

Cartografia do Sistema de Garantias e Direitos da Criança e do Adolescente em Rio das Ostras e adjacências.

Coordenação: Ana Claudia Camuri 

Este projeto de pesquisa tem como objetivo realizar uma cartografia (mapeamento) do Sistema de Garantia de Direitos da criança e adolescente (SGD), no município de Rio das Ostras e adjacências, de forma articulada com as demais atividades da docente ligadas ao ensino (aulas, grupos de estudo e estágio supervisionado) e aos seus projeto de extensão que com vistas a apoiar este mesmo sistema a partir do entendimento que a Universidade faz parte dele. Todas as ações serão desenvolvidas em parceria com o Laboratório de Psicologia, Políticas Públicas e Educação Popular, do Departamento de Psicologia de Rio das Ostras, coordenado pela Professora Mariano de Castro Moreira. A expectativa é que essas ações possibilitem material acadêmico que rompa com os tradicionais modelos tecnicista e/ou clínico-individualizante – que só reforçam a antiga lógica “menorista” – buscando assim atuar de modo a promover a efetiva proteção integral desse público em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8069/1990) e a Resolução nº 113, de 19 de abril de 2006, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), que institui o SGD.

O pensamento trágico para uma ética do cuidado

Coordenação: Christian Sade Vasconcelos

Esse projeto de pesquisa objetiva investigar a formulação de uma ética do cuidado a partir do pensamento trágico. Como definir o problema do cuidado? Nossa hipótese é que o trágico nos ajuda a pensar o cuidado, sua direção, como habitar e lidar comum a experiência limite. Partimos de uma concepção do pensamento trágico que se caracteriza por uma conexão paradoxal entre a alegria de existir e o caráter trágico da existência. Sua essência é a afirmação da multiplicidade da vida, pois na base desta há, sobretudo acaso, mais do que qualquer fundamento absoluto. O trágico nos coloca o desafio de se haver com os paradoxos, e de incluir a morte e a finitude à vida. O que pressupõe, a nosso ver, uma virada ética, um outro modo de se colocar no mundo, nos comprometendo comum criacionismo acéfalo como condição para se afirmar a potência de existir. E como se dá essa virada ética? Quais são suas condições de possibilidade? É nesse sentido que visaremos estudar o pensamento trágico e a questão do cuidado. Essa é uma temática que consideramos relevante tanto para se discutir a prática do psicólogo quanto em relação ao debate de problemas políticos da atualidade. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. Centraremos nossos estudos em obras de Clément Rosset, de Nietzsche e alguns de seus comentadores, e também buscaremos obras que nos ajudem a pensar a noção de cuidado bem como obras que apresentem alguma articulação entre o campo da clínica e o pensamento trágico.

A avaliação psicológica no rio de janeiro: identidades, práticas, ética e formação

Coordenação: Cidiane Vaz Gonçalves

A avaliação psicológica no Brasil, desde suas primeiras expressões durante a década de 1920 até o presente momento, passou por transformações muito significativas (Jacó-Vilela, Ferreira & Portugal, 2018). Dentre elas, destacamos a própria mudança na conceituação da avaliação psicológica, vista como processo de produção de conhecimento e não apenas como sinônimo de testagem (Res. CFP 09/2018), além da publicação de diretrizes para o ensino (Nunes et al, 2012; CFP, 2018, CFP, 2019), de resoluções, de notas técnicas e livros e revistas especializadas. A essas mudanças somam-se as discussões pela categoria das demandas sociais relativas à avaliação psicológica na interface com os direitos humanos em diferentes âmbitos. Apesar de a avaliação psicológica ter marcado o nascimento da Psicologia no Brasil e no Rio de Janeiro, esse protagonismo não se mantém até o momento atual. No presente momento, apesar dos inegáveis avanços, se constata ainda que a avaliação psicológica enquanto campo de formação e prática enfrenta dificuldades importantes, dentre as quais, as que mais se destacam na literatura envolvem a concepção equivocada da equivalência entre avaliação e testagem (Borsa & Lins, 2017; Borsa, 2016), a precariedade na formação, o desconhecimento das publicações norteadoras das práticas em avaliação psicológica como as Resoluções do CFP (Fonseca, 2011), o desconhecimento sobre o uso de testes (Primi, 2010; Noronha, 2002), as precárias condições de trabalhos em algumas áreas (CFP, 2016) e a desvalorização profissional, mesmo entre psicólogos (Amendola, 2014), além do grande número de processos éticos relativos à prática da avaliação psicológica (Zaia, Oliveira & Nakano, 2018; CRP PR, 2012). Tendo em vista esse cenário, é reiterada a pergunta sobre os motivos que possam ter levado uma área que teve início no Brasil de forma tão fértil e produtiva à um cenário tão espantoso, particularmente no que diz respeito ao Rio de Janeiro que foi berço de tantas iniciativas de formação, pesquisa e assistência no campo da avaliação psicológica. Quais foram os fatores que contribuíram para o atual estado de aceitação, desenvolvimento e desvalorização da avaliação psicológica no Rio de Janeiro? Que fatores favoreceram a criação de um cenário qualitativamente diferente em relação à avaliação psicológica em outros estados da federação como São Paulo e o Rio Grande do Sul?

Um olhar sobre a permanência de mulheres jovens em relacionamentos abusivos e a reorganização de suas trajetórias

Coordenação: Cidiane Vaz Gonçalves

Trata-se de pesquisa qualitativa com caráter exploratório que visa compreender os aspectos psicossociais que favorecem a permanência de mulheres jovens em relacionamentos de namoro considerados abusivos e a maneira pela qual estas reorganizaram suas trajetórias de vida após a ruptura deste vínculo. A amostra desta pesquisa será composta por três mulheres brasileiras com idade entre 18 e 30 anos, que vivenciaram namoros heterossexuais considerados por elas como abusivos e que conseguiram, após o rompimento desse vínculo, reorganizar suas trajetórias. O recorte de idade justifica-se pelo fato de que, segundo Waiselfisz (2015), há uma grande incidência de casos de violência nessa faixa etária, onde se concentra um número substancial de homicídios de mulheres, cuja maioria é realizado por parceiros ou ex parceiros afetivos. Além disso, importa estudar essa problemática na relação de namoro, uma vez que esta pressupõe uma experimentação afetivo sexual e há maior facilidade para o rompimento, sendo necessário investigar o que acontece nos casos em que se persiste neste tipo de vínculo mesmo frente a condições de violência. A amostra pode ser caracterizada como uma amostra por conveniência, por não pretender ser representativa da população brasileira, e que também pode ser chamada de intencional, uma vez que, como aponta Chein (1987, apud MARQUES, 2015), não é passível de generalização por não pretender investigar um processo psicológico ¿universal¿, ou até mesmo de estimar algum valor dessa população. O intuito é obter conhecimento acerca da variedade de elementos disponíveis dentro dessa amostra que possam favorecer a compreensão desse fenômeno complexo. A coleta dos dados será realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e a análise desses dados será feita a partir do método análise de discurso. Esse método visa compreender a experiência vivida e suas interpretações, uma vez que os dados não são analisados a partir de aspectos quantitativos, mas sim considerando os sentidos dados a situações vivenciadas em determinado contexto social (SILVEIRA & CÓRDOVA, 2009). Os objetivos desta pesquisa consistem, em um primeiro momento, em compreender os elementos que favorecem a permanência de mulheres jovens heterossexuais em relacionamentos abusivos, de forma a identificar como essa dinâmica se materializa no cotidiano das vítimas. Busca-se também analisar o processo de ruptura dessas relações, identificando os significados atribuídos às experiências vividas e a compreensão das estratégias e recursos utilizados para criarem novos destinos a suas experiências.

Psicologia nas encruzilhadas: brasilidade em questão

Coordenação: Cidiane Vaz Gonçalves

Trata-se de projeto de pesquisa que visa organizar e analisar o conteúdo decorrente de 16 entrevistas realizadas no projeto de extensão Psicoflix-se (https://www.instagram.com/psicoflix.se/?igshid=7oer4fpn7279) sob a temática Brasilidades. Espera-se que ao final do projeto seja possível organizar uma publicação que discuta as contribuições das filosofias populares brasileira para o campo da psicologia e da psicanálise.

Biografemas do trabalho docente

Coordenação: Cristiana Mara Bonaldi

Biografemas do trabalho docente: contribuições de Roland Barthes

Metaestabilidade das formas e individuação psíquica

Coordenação: Danilo Augusto Santos Melo

A presente pesquisa pretende investigar na obra do filósofo francês Gilbert Simondon uma concepção singular do processo de constituição da subjetividade ou individuação psíquica. A perspectiva elaborada por Simondon parte do problema da percepção, ou melhor, da individuação das formas percebidas a partir da inserção do indivíduo num campo metaestável de relações de forças pré-individuais. Desse modo, pretendemos acompanhar o debate que Simondon estabelece com a psicologia da Gestalt em relação à qualidade das formas e sua divergência singular a esta perspectiva. Ao final da pesquisa, pretendemos traduzir os textos de Simondon onde este debate se estabelece a fim de oferecer este material para os alunos da disciplina -percepção- do curso de psicologia da UFF.

 

Análise das encomendas e demandas das comunidades regional e acadêmica para a área de Psicologia, clínica, grupos e corporeidade

Coordenação: Daniel Maribondo

A atuação no magistério superior se sustenta no tripé universitário do Ensino, Pesquisa e Extensão, além do desempenho de atividades administrativas para o bom funcionamento da universidade. O ingresso no cargo exige a proposição de um plano de trabalho que abarque o tripé e as atividades administrativas para trinta meses. Considerando a inseparabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e os princípios da extensão, utilizamos esta como perspectiva para propositura de um plano de trabalho no que diz respeito à identificação de demandas das comunidades acadêmica e regional. Este projeto de pesquisa propõe investigar as principais encomendas e demandas existentes no território de Rio das Ostras, da Baixada Litorânea e da Universidade Federal Fluminense (UFF) no campo da Psicologia e na área de conhecimento de Clínica, grupos e corporeidade, com atenção especial à relação de forças envolvendo atores da esfera governamental, organizações, coletivos, movimentos sociais e comunidade acadêmica (docente, discente e técnicos administrativos). O dispositivo de pesquisa abarcará o diálogo com diferentes atores envolvidos no engendramento dos territórios citados, no levantamento de dados demográficos e de bibliografia pertinente e nas visitas de campo a equipamentos públicos e aos atores citados. As ferramentas conceituais das quais se lançará mão para a análise do levantamento de dados são as contribuições da Esquizoanálise e, principalmente, da Análise Institucional, e da História Oral, levando em conta a questão da memória, o caráter processual e a dinâmica instituído e instituinte das práticas que compõem e constroem o território, as políticas públicas e a universidade. Os resultados esperados envolvem a produção de subsídios para a continuidade de um plano de trabalho docente que, mesmo estabelecendo os contornos da sua experiência, expertise e seu interesse em desenvolvimento científico e tecnológico, abarque pesquisa, ensino e extensão em consonância com a realidade regional e acadêmica.

A universidade como cenário: vivências acadêmicas e acolhimento estudantil em um campus de interior

Coordenação: Fabia Monica Souza dos Santos

Trata-se de um estudo exploratório que pretende construir indicadores sobre vivências acadêmicas e acolhimento estudantil com alunos do curso de psicologia do campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense. A pesquisa proposta prevê, em sua fase inicial, a aplicação do instrumento QVA-R (questionário de vivências acadêmicas versão reduzida) em amostra de estudantes universitários do curso de psicologia do campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense (CURO/UFF). Na fase 2 está prevista a realização de grupos focais com alguns dos participantes da fase 1. O questionário é original de pesquisas realizadas em Portugal pelos pesquisadores Leandro Almeida, Joaquim Ferreira e Ana Paula Soares, no ano de 2001, e conta com cinco diferentes dimensões: pessoal, interpessoal, carreira, estudo e institucional. O questionário de auto relato é composto por 55 questões dispostas em escala likert de cinco pontos, sendo a resposta 1 – nada a ver comigo, 2 – pouco a ver comigo, 3 – às vezes acontece comigo, 4 ¿ bastante a ver comigo e 5 – tudo a ver comigo. O QVA-R já foi devidamente adaptado à realidade brasileira (Granado, Santos, Almeida, Soares e Guisande, 2005) e tem como objetivo aprofundar os conhecimentos acerca das dimensões que compõem o processo de integração acadêmica, destinando-se em especial aos acadêmicos ingressantes na vida universitária. Já foi realizado contato com os pesquisadores de Portugal e o grupo responsável pela adaptação do instrumento à realidade brasileira, garantindo sua autorização para aplicação no contexto relatado (campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense), de forma a favorecer a ampliação de dados comparativos em mais uma realidade universitária. Atualmente o curso de psicologia do CURO/UFF é oferecido em turno integral e possui cerca de 400 alunos ativos. Foi estabelecida como amostra mínima a aplicação do QVA-R em 30% dos alunos do curso (ou seja, 120 alunos), para em seguida, na fase 2, selecionarmos pelo menos 20% dos participantes da fase 1 (ou seja, pelo menos 24 alunos) para a realização dos grupos focais. Grande parte da bibliografia disponível sobre vivências acadêmicas é estrangeira e somente nos últimos anos vêm se ampliando o número de estudos realizados em âmbito nacional, tais como o de Igue, Bariani & Milanesi (2008), que trazem o questionário de vivências acadêmica (QVA) como instrumento de pesquisa. A escassez de estudos sobre essa temática é ainda mais significativa quando buscamos referências em seu cruzamento com o processo de interiorizaçãodo ensino superior em nosso país, de forma a evidenciar a carência extrema de pesquisas sobre o alunado que vem compondo os polos de interior das universidades públicas e privadas. Nesse sentido, esta pesquisa pretende construir indicadores atuais que permitam expandir a compreensão sobre os processos de integração acadêmica de forma a amenizar os efeitos estressores e adversos oriundos desta experiência, em especial em um campus universitário de interior, como é o caso da UFF de rio das ostras. Este projeto de pesquisa está diretamente articulado ao projeto de extensão universitária ¿rede coletivo TRAMPO (trabalho, movimento, pessoas & organizações) e a universidade como cenário: pesquisa e extensão sobre vivências acadêmicas e acolhimento estudantil, alimentando-se das demandas identificadas na realidade deste campus universitário.

História Social das relações raciais: o discurso racializado, seus processos de subjetivação e a constituição do elemento negro

Coordenação: Hildeberto Vieira Martins

O presente projeto de pesquisa se propõe a realizar uma análise histórica que nos possibilite interrogar quais são as condições de produção e reprodução de certos modelos (discursos e práticas) sobre o que se instituiu denominar a questão racial brasileira. O nosso objetivo é mapear a proliferação de uma série de discursos em torno da construção de um projeto nacional e civilizatório que teve como eixo principal a produção de um discurso racializado, isto é, discutir de que modo certos fatores permitiram engendrar a produção de uma “estranheza eficaz”. A partir da criação do que convencionamos chamar de elemento negro, constituindo-se como o representante mais eficaz desse espaço social destinado a demarcar um lugar de “estranhamento” (o outro como perigoso, anormal, diferente etc.). O projeto visa criar um espaço de discussão e promoção de estudos na área da história da psicologia e da psicologia social (em suas articulações com campo das relações raciais) a partir da problematização provocada pela discussão e análise das questões relacionadas aos processos e embates socioculturais desencadeados em consequência da efetivação de modos de pertencimento racial ou étnico. Objetiva-se mapear as estratégias propiciadoras da formação e constituição de identidades sociais, das relações de poder e de outras práticas socialmente engendradas na sociedade brasileira. Pretende-se ainda compreender o processo de constituição de uma rede institucional que funciona como recurso difusor da proliferação e consolidação de uma série de estratégias políticas a respeito da questão racial no brasil, já a partir de finais do século XIX.

Psicologia e a questão racial: um estudo das apropriações históricas

Coordenação: Hildeberto Vieira Martins

Financiamento: Proaes

O presente projeto de pesquisa se propõe a realizar uma análise histórica que possibilite a questionamento de quais são as condições de produção e reprodução de certos modelos científicos (discursos e práticas) sobre o que se instituiu denominar a questão racial brasileira. O nosso objetivo é mapear a proliferação de uma série de discussões (políticas, científicas, sociais) em torno da construção de um projeto nacional e civilizatório que teve como eixo principal a produção de um discurso racializado. Pretendemos problematizar de que modo certos acontecimentos sociais, como o surgimento de universidades e instituições científicas e organizações sociais, permitiram engendrar a produção de uma ¿estranheza eficaz¿ a partir da criação do que convencionamos chamar de elemento negro. O projeto visa criar um espaço de discussão e promoção de estudos sobre a questão racial que se alinhe aos problemas vinculados a área da história da psicologia e da psicologia social (em suas articulações com campo das relações raciais). Esperamos que a partir da investigação de certos processos e embates socioculturais, como é o caso do problema da identidade racial, possamos compreender melhor os aspectos históricos e sociais relacionados à dinâmica da efetivação de modos de pertencimento racial ou étnico presentes em nossa sociedade.

Psicologia e relações raciais no Brasil: um estudo de suas apropriações históricas

Coordenação: Hildeberto Vieira Martins

Financiamento: Proppi

O presente projeto de pesquisa se propõe a realizar uma análise histórica que possibilite o questionamento de quais são as condições de produção e reprodução de certos modelos científicos (discursos e práticas) sobre o que se instituiu denominar a questão racial brasileira. O nosso objetivo é mapear a proliferação de uma série de discussões (políticas, científicas, sociais) em torno da construção de um projeto nacional e civilizatório que teve como eixo principal a produção de um discurso racializado. Pretendemos problematizar de que modo certos acontecimentos sociais, como o surgimento de universidades e instituições científicas e organizações sociais, permitiram engendrar a produção de uma “estranheza eficaz” A partir da criação do que convencionamos chamar de elemento negro.

A universidade como cenário: vivências acadêmicas e acolhimento estudantil em um campus de interior

Coordenação: Irene Bulcão

Trata-se de um estudo exploratório que pretende construir indicadores sobre vivências acadêmicas e acolhimento estudantil com alunos do curso de psicologia do campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense. A pesquisa proposta prevê, em sua fase inicial, a aplicação do instrumento QVA-R (questionário de vivências acadêmicas versão reduzida) em amostra de estudantes universitários do curso de psicologia do campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense (curo/uff). Na fase 2 está prevista a realização de grupos focais com alguns dos participantes da fase 1. O questionário é original de pesquisas realizadas em portugal pelos pesquisadores leandro almeida, joaquim ferreira e ana paula soares, no ano de 2001, e conta com cinco diferentes dimensões: pessoal, interpessoal, carreira, estudo e institucional. O questionário de auto relato é composto por 55 questões dispostas em escala likert de cinco pontos, sendo a resposta 1 – nadaa ver comigo, 2 – pouco a ver comigo, 3 – às vezes acontece comigo, 4 ¿ bastante a ver comigo e 5 – tudo a ver comigo. O qva-r já foi devidamente adaptado à realidade brasileira (granado, santos, almeida, soares e guisande, 2005) e tem como objetivo aprofundar os conhecimentos acerca das dimensões que compõem o processo de integração acadêmica, destinando-se em especial aos acadêmicos ingressantes na vida universitária. Já foi realizado contato com os pesquisadores de portugal e o grupo responsável pela adaptação do instrumento à realidade brasileira, garantindo sua autorização para aplicação no contexto relatado (campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense), de forma a favorecer a ampliação de dados comparativos em mais uma realidade universitária. Atualmente o curso de psicologia do curo/uff é oferecido em turno integral e possui cerca de 400 alunos ativos. Foi estabelecida como amostra minima a aplicação do qva-r em 30% dos alunos do curso (ou seja, 120 alunos), para em seguida, na fase 2, selecionarmos pelo menos 20% dos participantes da fase 1 (ou seja, pelo menos 24 alunos) para a realização dos grupos focais. Grande parte da bibliografia disponível sobre vivências acadêmicas é estrangeira e somente nos últimos anos vêm se ampliando o número de estudos realizados em âmbito nacional, tais como o de igue, bariani & milanesi (2008), que trazem o questionário de vivências acadêmica (qva) como instrumento de pesquisa. A escassez de estudos sobre essa temática é ainda mais significativa quando buscamos referências em seu cruzamento com o processo de interiorizaçãodo ensino superior em nosso país, de forma a evidenciar a carência extrema de pesquisas sobre o alunado que vem compondo os polos de interior das universidades públicas e privadas. Nesse sentido, esta pesquisa pretende construir indicadores atuais que permitam expandir a compreensão sobre os processos de integração acadêmica de forma a amenizar os efeitos estressores e adversos oriundos desta experiência, em especial em um campus universitário de interior, como é o caso da uff de rio das ostras. Este projeto de pesquisa está diretamente articulado ao projeto de extensão universitária ¿rede coletivo trampo (trabalho, movimento, pessoas & organizações) e a universidade como cenário: pesquisa e extensão sobre vivências acadêmicas e acolhimento estudantil, alimentando-se das demandas identificadas na realidade deste campus universitário.

Estudo diferencial entre linguagem representacional, linguagem expressiva e a hermenêutica criativa na clínica junguiana

Coordenação: Maddi Damião Júnior

Esta pesquisa pretende fazer um estudo diferencial entre linguagem representacional, linguagem expressiva e linguagem epifânica, isto é, como criação. Desta forma parte do princípio que a linguagem adquira uma dimensão fundamental, radical, ou seja, de constituição e criação de homem e mundo, sendo tecitura de sentido e valor. Isto nos permitirá problematizar as práticas clínica da psicologia junguiana como processos de criação ao invés de expressão de conteúdos internos a um sujeito psicológico, o que possibilita pensar a clínica a partir de uma perspectiva estética, desfazendo a dicotomia sujeito-objeto, interno-externo e situar a clínica como espaço de criação de si, ou seja, de vigência do singular. Para tal traçaremos nosso caminho no diálogo entre a hermenêutica fenomenológica e a psicologia junguiana, mais propriamente pelo modo de questionamento da linguagem tal como proposto pelo filósofo Martin Heidegger e por Paul Ricoeur. Ela faz parte das atividades do Grupo de Pesquisa Filosofia e Psicologia Clínica e situa-se na linha Psicologia Analítica, fenomenologia hermenêutica e práticas psicoterápicas. Esperamos contribuir primeiramente para uma epistemologia da psicologia analítica e sua fundamentação de maneira mais apropriada, isto é, correspondendo de modo mais próprio as intuições tematizadas por C. G. Jung assim como pensar uma metapsicologia da clínica baseada na experiência de criação, que ultrapasse a concepção de uma psicologia fundada na subjetividade.

Meditação e Psicologia Clínica, um estudo sobre o Budismo Mahayana e as práticas psicoterápicas tais como propostas por C. G. Jung

Coordenação: Maddi Damião Júnior

A presente pesquisa propôs-se a ser um estudo do Prajñ¿ P¿ramit¿ Hridaya S¿tra, e das noções de vacuidade (¿¿nyat¿), forma, Prajña, e da vacuidade dos dharmas e agregados, de tal forma que possa contribuir para uma reflexão, especificamente em relação à psicologia analítica, criada pelo psiquiatra suiço Carl Gustav Jung. Será feita uma análise dessas categorias de tal forma que possamos repensar as bases da clínica e as contribuições do Abdharma para a tematização da questão de base da prática das psicoterapias, que se funda na questão do sofrimento e no papel do conhecimento de si como liberação deste sofrimento. A partir da inspiração do Sutra do Coração, a reflexão sobre a clínica psicológica diverge do tema do sofrimento e se encaminha para a questão da ignorância, como um klesha, como propriedades bem singulares, pois parte-se do princípio que desde que o homem existe, está em modo de ignorância, sendo a libertação desta também a libertação do sofrimento. Dessa forma, o problema central da clínica consiste na seguinte questão: como sair, dentro da condição humana, do modo de ignorância? Na medida em que C. G. Jung permite pensar a clínica e a descreve como uma prática de meditação, ou atenção constante e minuciosa à experiência, acredito que torna-se possível pensar a clínica a partir do diálogo com a tradição Mahaiana. Para tal, teremos que investigar os meios do caminho de libertação no Budismo e os meios e práticas para a fundamentação clínica na perspectiva da psicologia analítica. Por fim, o trabalho se propõe a estabelecer um diálogo entre a psicologia clínica e a tradição do Abidharma, o que implica em uma virada de perspectiva no que tange a questão epistemológica, pois pode-se dizer que há aí uma ruptura com as epistemologias subjetivistas, que têm no sujeito determinado por uma razão suficiente o ponto de partida para qualquer análise do real, pode-se dizer que, desta forma, colocamos os pressupostos da subjetividade fundante da psicologia no séc. XX por uma reflexão sobre as questões da consciência e do eu que problematizam através de uma reflexão analítica estas categorias construtoras da psicologia.

 

A literatura no processo de avaliação psicológica infantil

Coordenação: Mara Sizino da Victoria

A avaliação psicológica (AP) pode ser definida como um processo técnico e científico, realizado em etapas que vão desde o levantamento dos objetivos da avaliação, coleta de informações através de variados recursos [isto é, entrevistas, observações, testes psicométricos e/ou projetivos/expressivos], integração das informações e, por último, a comunicação dos resultados ao indivíduo, grupo de indivíduos ou instituição que buscou o processo de avaliação (CFP, 2013). Segundo a Resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) nº009/2018, a AP deve basear sua decisão em métodos e/ou técnicas e/ou instrumentos psicológicos reconhecidos cientificamente, estes considerados fontes fundamentais, além de fontes complementares (técnicas e instrumentos não psicológicos e documentos técnicos) a depender do contexto. O processo de AP com crianças tem algumas especificidades, que perpassam desde a busca e reconhecimento da necessidade de uma ajuda, pois a criança é levada ao profissional por um responsável, até os recursos utilizados durante o trabalho. Um desses recurso é o desenho infantil, que é uma técnica consistente para analisar o conteúdo emocional, afetivo e comportamental. Como o desenhar é um ato prazeroso e habitual para as crianças, trata-se de uma atividade de larga aceitação entre elas (DI LEO, 1991). Outras estratégias lúdicas também são extremamente ricas para formação de vínculo profissional-criança e compreensão da sua dinâmica de personalidade, como o brincar livremente ou através da mediação por brinquedos, como por exemplo, fantoches, casinha, bonecos, massinha de modelar, jogos, blocos de madeira e livros (SILVA; NAVES; LINS, 2018). Este projeto foca no uso da expressão literária como um dos recursos no processo de avaliação psicológica infantil. Assim, pretende-se investigar como o uso de leitura de livros e produção de histórias pode ser um meio facilitador de comunicação do mundo vivencial da criança, além de ser ferramenta para avaliação de atividades de leitura e escrita. O ano de 2021 será a primeira fase da pesquisa, com ênfase na revisão de literatura e elaboração de artigo teórico.

Políticas da Memória e Práticas de Formação na Infância e Juventude

Coordenação: Marcelo de Abreu Maciel

No Brasil, assim como em várias partes do mundo, diversas pessoas e grupos testemunham suas histórias de tempos difíceis e traumáticos. São trabalhos que nos chegam a partir da literatura, filmes, documentários, reportagens, revelando as memórias daqueles que resolveram falar e escrever sobre os enfrentamentos de situações limites, desumanas e violentas. Em particular, esta investigação toma como campo de análise os períodos da ditadura militar no Brasil, bem como os relatos daqueles que atravessaram períodos de guerra e seus processos migratórios violentos. A pesquisa tem como pressuposto que esses relatos ainda possuem uma função de luta na contemporaneidade, pelo que trazem de força, ligação com a vida e abertura para outros olhares possíveis de fatos históricos e seus discursos oficiais. Ao contrário daqueles que defendem o silêncio e a produção de esquecimentos como uma forma de avançar na discussão dos chamados direitos humanos e da própria História, essas memórias e testemunhos surgem como potência capaz de trazer outras significações, elaborações, abrindo uma rede de possibilidades de ruídos e interpretações que afetem o próprio andamento das operações históricas e o sentido da vida. A partir deste cenário, este projeto objetiva investigar qual a ressonância destes discursos no campo dos processos de formação de jovens, principalmente no que diz respeito a um diálogo com os chamados direitos humanos. Especificamente, possui uma preocupação com a formação em Psicologia e de que modo os alunos dialogam com estas informações para pensar a condição humana em suas práticas de trabalho e estágio, principalmente aquelas que intervém em situações limites, traumáticas e excludentes. Metodologicamente, a pesquisa se insere no campo da chamada História Oral e dos estudos biográficos, tomando como base principalmente os trabalhos do pesquisador italiano Alessandro Portelli.

 

A universidade como cenário: vivências acadêmicas e acolhimento estudantil

Coordenação: Marcelo de Abreu Maciel

Trata-se de um estudo exploratório que pretende construir indicadores sobre vivências acadêmicas e acolhimento estudantil com alunos do curso de psicologia do campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense. A pesquisa proposta prevê, em sua fase inicial, a aplicação do instrumento QVA-R (questionário de vivências acadêmicas versão reduzida) em amostra de estudantes universitários do curso de psicologia do campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense (CURO/UFF). Na fase 2 está prevista a realização de grupos focais com alguns dos participantes da fase 1. O questionário é original de pesquisas realizadas em Portugal pelos pesquisadores Leandro Almeida, Joaquim Ferreira e Ana Paula Soares, no ano de 2001, e conta com cinco diferentes dimensões: pessoal, interpessoal, carreira, estudo e institucional. O questionário de auto relato é composto por 55 questões dispostas em escala likert de cinco pontos, sendo a resposta 1 – nada a ver comigo, 2 – pouco a ver comigo, 3 – às vezes acontece comigo, 4 ¿ bastante a ver comigo e 5 – tudo a ver comigo. O QVA-R já foi devidamente adaptado à realidade brasileira (Granado, Santos, Almeida, Soares e Guisande, 2005) e tem como objetivo aprofundar os conhecimentos acerca das dimensões que compõem o processo de integração acadêmica, destinando-se em especial aos acadêmicos ingressantes na vida universitária. Já foi realizado contato com os pesquisadores de Portugal e o grupo responsável pela adaptação do instrumento à realidade brasileira, garantindo sua autorização para aplicação no contexto relatado (campus universitário de rio das ostras da universidade federal fluminense), de forma a favorecer a ampliação de dados comparativos em mais uma realidade universitária. Atualmente o curso de psicologia do CURO/UFF é oferecido em turno integral e possui cerca de 400 alunos ativos. Foi estabelecida como amostra mínima a aplicação do QVA-R em 30% dos alunos do curso (ou seja, 120 alunos), para em seguida, na fase 2, selecionarmos pelo menos 20% dos participantes da fase 1 (ou seja, pelo menos 24 alunos) para a realização dos grupos focais. Grande parte da bibliografia disponível sobre vivências acadêmicas é estrangeira e somente nos últimos anos vêm se ampliando o número de estudos realizados em âmbito nacional, tais como o de Igue, Bariani & Milanesi (2008), que trazem o questionário de vivências acadêmica (QVA) como instrumento de pesquisa. A escassez de estudos sobre essa temática é ainda mais significativa quando buscamos referências em seu cruzamento com o processo de interiorizaçãodo ensino superior em nosso país, de forma a evidenciar a carência extrema de pesquisas sobre o alunado que vem compondo os polos de interior das universidades públicas e privadas. Nesse sentido, esta pesquisa pretende construir indicadores atuais que permitam expandir a compreensão sobre os processos de integração acadêmica de forma a amenizar os efeitos estressores e adversos oriundos desta experiência, em especial em um campus universitário de interior, como é o caso da UFF de rio das ostras. Este projeto de pesquisa está diretamente articulado ao projeto de extensão universitária ¿rede coletivo TRAMPO (trabalho, movimento, pessoas & organizações) e a universidade como cenário: pesquisa e extensão sobre vivências acadêmicas e acolhimento estudantil, alimentando-se das demandas identificadas na realidade deste campus universitário.

Michel Foucault e os problemas da antropologia

Coordenação: Márcio Luis Miotto

A presente pesquisa diz respeito à análise e comparação de dois inéditos de Michel Foucault, relativos às produções de sua juventude na década de 1950: em primeiro lugar, o manuscrito inédito (não publicado) “Problèmes de l’Anthropologie”, que consiste em notas de Jacques Lagrange a um curso ministrado por Foucault na École Normale Supérieure em 1954-1955; em segundo lugar, o livro “La Question Anthropologique (cours 1954-1955)”, a ser lançado pela Gallimard/Seuil/EHESS em junho de 2022. Primeiramente, as rotinas de pesquisa giram em torno do texto Problèmes de l’Anthropologie: trata-se de analisar ecompilar as anotações feitas à mão por Jacques Lagrange, num documento cujo acesso foi realizado no IMEC (Institut Mémoires de l’Édition Contemporaine) pelo pesquisador durante sua tese de doutorado, mas cuja finalização permaneceu pendente. A tarefa de análise e compilação consiste, primeiramente, na transcrição integral desse inédito, envolvendo todas as decisões necessárias para a organização e cotejo de partes ambíguas, mal formuladas ou com as referências apontadas. Em segundo lugar, consiste em extrair do teor do texto as implicações dessas lições de Foucault, feitas ainda antes de seus livros mais conhecidos, para compor a economia dos problemas que o conduziram a esses livros. Trata-se, assim, de confrontar o inédito com as lógicas dos demais textos de Foucault daépoca e com as referências apontadas pelo próprio texto. A segunda parte das rotinas de pesquisa consistirá na análise de La Question Anthropologique, pois, se o texto Problèmes de l’Anthropologie é feito a partir de anotações de um aluno de Foucault diante de seus cursos, La Question Anthropologique consiste em anotações do próprio Foucault, retiradas da nova série de arquivos de Foucault depositados por Daniel Defert na BNF desde 2013 (referência NAF 28730). Finalmente, as rotinas de pesquisa consistirão na comparação da lógica desses dois textos. Trata-se, aqui, de tentar delinear de que modo as lições de “antropologia” de Foucault, realizadas ainda desde “cedo” em sua trajetória filosófica, inserem-se na lógica dos problemas que o conduziram aos textos “arqueológicos”, mais conhecidos. As rotinas de trabalho se articularão também com o projeto de pesquisa PIBIC “A questão da clínica nos escritos iniciais de Michel Foucault”.

A Psicanálise nos escritos iniciais de Michel Foucault

Coordenação: Márcio Luis Miotto

O presente projeto tem como pano de fundo a formulação da questão antropológica em Michel Foucault, a partir do acesso de alguns inéditos depositados no Institut Mémoires de l’Édition Contemporaine (IMEC) antes de 2013, e outros inéditos dentre os arquivos depositados na Bibliothèque Nationale de France (BNF) desde 2013, especialmente – neste caso – o texto “Un Manuscrit de Michel Foucault sur la Psychanalyse”, publicado em 2019 na revista Astérion. O objetivo da pesquisa, com isso, é de analisar o manuscrito inédito sobre a psicanálise e confrontá-lo com as demais questões trabalhadas por Foucault durante os anos 1950, em torno da Psicologia e da Filosofia. A questão principal diz respeito ao estatuto desse texto: seria ele, como diz a compilação da revista Asterion, um escrito preparatório para outros textos já tornados públicos, como “Maladie Mentale et Personnalité”. Ou seria um texto original, com teor e construção próprios, denotando aspectos trabalhados sobre a psicanálise não entrevistos nos demais textos de Foucault? E independente dessas duas questões: o que o manuscrito sobre a psicanálise poderia contribuir a respeito da economia dos problemas enfrentados pelo jovem Foucault, no caminho rumo às teses de doutorado sobre História da Loucura e a Introdução à Antropologia de Kant? As rotinas de pesquisa se deterão em torno dessas perguntas. A tarefa, portanto, é a de analisar cada um dos textos publicados por Foucault nos anos 1950 e extrair dali as considerações referentes à psicanálise. Em segundo lugar, trata-se, também, de analisar os inéditos que aparecem ao menos desde 2021 na coleção Cours et Travaux de Michel Foucault, a saber, livros como Binswanger et l’Analyse Existentielle, Phénoménologie et Psychologie e La Question Anthropologique (no prelo para sair em junho de 2022). Finalmente, trata-se de estudar também as menções de Foucault e ao papel da psicanálise na França, uma vez que referências como Anna Freud, Lacan e outros também habitam, polemicamente e de forma pouco clara, nos textos de Foucault. Nesse sentido, qual seria em geral o estatuto da psicanálise, e em particular o estatuto do manuscrito sobre a psicanálise entre os demais textos nas interrogações de Foucault? E que aspectos esses problemas em torno da psicanálise poderiam fazer ver em torno de como o jovem Foucault formula ou não suas críticas aos antropologismos já desde os textos dos anos 1950? Trata-se, portanto, de analisar literatura primária já disponível, literatura secundária (ainda pouco numerosa) e seguir as menções de Foucault sobre a psicanálise. O presente projeto vincula-se a produções em curso e às atividades exercidas em dois outros projetos: a pesquisa PIBIC-UFF intitulada “A questão da clínica nos escritos iniciais de Michel Foucault” e o projeto de Desenvolvimento Acadêmico-UFF intitulado “Psicologia e Modernidade”.

Psicologia, políticas públicas e processos de formação

Coordenação: Mariana de Castro Moreira

O presente Projeto insere-se nas ações propostas pelo Laboratório de Políticas Públicas do Curso de Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e tem como objetivo reunir e sistematizar processos de investigação científica que articulem os campos da Psicologia e das Políticas Públicas, assim como os modos de construção de conhecimentos e de formação daí decorrentes. Historicamente, a Psicologia constituiu-se priorizando um modelo de atuação clínico individualizante e privatista. No entanto, muitas das principais demandas e realidades vividas, em nosso país, ficaram invisibilizadas em nossos enquadramentos e processos de construção de conhecimentos e práticas. Assim, em tempos em que é preciso fortalecer os princípios democráticos e situar a Psicologia como ciência e profissão fundamental para a garantia de direitos, o Laboratório reafirma o papel da Psicologia em seu compromisso com a transformação social, com o fortalecimento das políticas públicas e com a construção de uma sociedade mais justa e equânime. Sustentado pelo tripé ensino-pesquisa-extensão, o Laboratório reafirma o compromisso universitário com o desenvolvimento loco regional buscando desenvolver ações coletivas e em parceria junto às redes, serviços e equipamentos do município de Rio das Ostras e região. Adota-se ainda a intersetorialidade como perspectiva e diretriz de atuação, enfatizando a importância da articulação e integração entre os principais campos de políticas públicas nos quais a Psicologia pode contribuir, quais sejam: a saúde, a educação, a assistência social e seus desdobramentos contemporâneos. Sendo assim, a Pesquisa intitulada “Psicologia, Políticas Públicas e Processos de Formação” coloca-se como desdobramento das ações de ensino e de extensão, operacionalizando-se a partir da orientação e supervisão de projetos de pesquisa e de intervenção.

A utilização da Gestalt-terapia no contexto do acolhimento psicológico

Coordenação: Patricia Valle de Albuquerque Lima

O presente projeto de pesquisa destina-se a refletir sobre a viabilidade e pertinência da utilização dos recursos da psicoterapia breve em Gestalt-terapia, definida por Pinto (2009) como “Psicoterapia de curta duração”, em contextos de atendimento social clínico no modelo de acolhimento psicológico.

A formação psicanalítica na obra de Jacques Lacan

Coordenação: Pedro Cattapan

Este projeto busca cartografar os momentos cruciais em que o pensamento teórico e as intervenções político institucionais de Jacques Lacan se enlaçam para a confecção de uma concepção original da formação do psicanalista.

Genealogia da formação psicanalítica

Coordenação: Pedro Cattapan

Estudo histórico sobre que debates teóricos, técnicos e políticos se realizaram no campo psicanalítico para que tenha se construído a formação psicanalítica nos moldes empregados pela International Psychoanalytical Association. Para tanto, também se faz necessário recuperar os modelos de formação que inspiraram à adoção deste modelo.

Psicanálise como prática subversiva de si

Coordenação: Pedro Cattapan

Este projeto visa cotejar as últimas pesquisas de Michel Foucault sobre as práticas de si e uma estética da existência como modos de subjetivação e resistência face ao poder com a concepção da prática psicanalítica como espaço de subversão do sujeito desenvolvida e destacada por Jacques Lacan, porém já presente nas obras de Sigmund Freud e Sandor Ferenczi. Para tanto a revisão bibliográfica destes autores será fundamental.

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